Bolero, salsa e tango
Entrei no salão quando a luz ainda era tênue.
Ao centro alguns poucos arriscavam passos contidos.
Não é usual dançar na frente de todos tanta angústia.
Eu, ainda frio do orvalho, busquei qualquer uma das mãos que estavam ali e levei
Não nos precipitamos nem ousamos passos largos.
Muito menos uma finalização decente ao fim da canção.
Quando a luz ficou mais forte, a banda levantou para tocar.
Era forte a luz na cara, e surgiu gente de onde não tinha.
O ritmo levava o corpo sem esforço meu, nem de quem eu conduzia.
Sem ter a conta do número de corpos que estiveram comigo, só queria seguir dançando.
Num frenesi de giros e saltos, pés e pernas ligeiras trançavam-se
Pele e som eram a ordem.
Até eu sentir na minha mão um toque sedoso que me arrancou do topor em que eu havia mergulhado.
Breu.
Haviam rosas no ar
E não havia quem guiasse naquele momento.
Não havia mais ninguém como nós. E se havia, não podia ver.
Eu não tinha mais olhos.
Envolventes. Envolvidos.
Estamos numa dança da qual não vamos mais sair.
Música após música, até um tango final.
A tanto tempo sem escrever e quanto retorna aparece um texto destes… excelente.
Achei espetacular…
Apesar do que vindo de vc nem é surpresa…